Quando se fala em suplementação para vacas de cria muitas vezes nos vem a cabeça apenas a mineralização. João Benatti, gerente de produto para Ruminantes da Trouw Nutrition, recomenda que não se pode esquecer dos outros tipos de suplementos, com o objetivo de corrigir a deficiência da forragem. “A suplementação com suplementos proteicos e proteico-energéticos também deve ser utilizadas para vacas, mas precisa ser pontual e direcionada aos animais que realmente necessitam, como fêmeas com escores baixos, primíparas e, de maneira geral, animais que parem no final da estação de parição”, recomenda.

Na seca, diz Benatti, é fundamental garantir fêmeas com bom escore corporal. Assim, suplementar as vacas para que elas estejam em boas condições físicas e de saúde no parto (escores 5 a 7) comprovadamente melhora os seus índices reprodutivos. “Durante a seca, o pasto é de baixa qualidade. Então, a atenção deve estar voltada ao aporte nutricional por meio de suplementos concentrados, principalmente aos animais mais magros”, diz o gerente da Trouw Nutrition.

“O início da vida reprodutiva das novilhas dá-se quando elas atingem aproximadamente 65% do peso adulto e idade adequada. A fertilidade não costuma ser um problema nessa fase, pois elas entram na estação de monta sem bezerro ao pé. O objetivo aqui é reduzir a idade na primeira cobertura para 12 a 14 meses, a partir de um plano nutricional estruturado que as faça atingir o peso adequado”, explica o especialista.

Já em primíparas, o desafio é outro. No Brasil, a média de taxa de prenhez dessas fêmeas é inferior a 40%, devido ao  desvio da energia da reprodução para o crescimento. “A suplementação dessa categoria com concentrado garante a energia necessária para o crescimento, com consequente aumento dos índices reprodutivos próximos aos das multíparas”.

João Benatti alerta para a perda de peso após o parto. “A fêmea só voltará ao ciclo reprodutivo quando parar de perder peso, ou seja, quando sair do Balanço Energético Negativo (BEN). Após esse período, a suplementação – que pode levar de 60 a 90 dias – tem potencial para melhorar a resposta dos animais e proporcionar maior retorno econômico para a propriedade”, pontua.

É comum que as fêmeas que parem no final da estação de parição desmamem bezerros mais leves (até 40 kg a menos) do que as que têm crias no primeiro mês da estação. “As fêmeas que parem no final da estação de parição enfrentam um desafio: têm menos tempo para emprenhar, resultando em baixas taxas de prenhez. É preciso trabalhar para adiantar a concepção para o início da estação e suplementar esses animais com concentrado logo após o parto”, reforça João Benatti.

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